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Bento XVI exorta aos jovens a redescobrir a amizade com Cristo para transformar a sociedade


O Papa Bento XVI fez uma especial exortação aos jovens para que, neste Ano da Fé, as jovens gerações redescubram e fortaleçam a amizade com Cristo, para que dela brote a alegria e o entusiasmo para transformar a sociedade.

Assim o indicou nesta manhã o Santo Padre em seu discurso aos participantes na Assembleia Plenária do Pontifício Conselho da Cultura cujo tema é: "As culturas juvenis emergentes".

Bento XVI disse que "apesar de estarmos conscientes de muitas situações problemáticas, que também afetam a área da fé e os membros da Igreja, nós renovamos a nossa fé nos jovens, para reafirmar que a Igreja vê sua condição, sua cultura, como um essencial e inevitável ponto de referência para seu trabalho pastoral".

"A Igreja tem confiança nos jovens, ela espera neles e em suas energias, ela precisa deles e da sua vitalidade, para continuar a viver a missão confiada por Cristo com renovado entusiasmo. Espero sinceramente, portanto, que o Ano da Fé seja, mesmo para as jovens gerações, uma preciosa oportunidade para redescobrir e fortalecer nossa amizade com Cristo, que? traz alegria e entusiasmo para transformar profundamente culturas e sociedade".

O Santo Padre expressou logo sua esperança nos frutos desta Assembleia Plenária, para contribuir assim "ao trabalho da Igreja em relação à realidade juvenil; uma realidade complexa e uma das que não pode ser entendida dentro do contexto de um universo culturalmente homogêneo, mas em um horizonte que pode ser definido como "multiverso", que é determinado por uma pluralidade de visões, perspectivas e estratégias".

O Pontífice falou depois do "clima de instabilidade que afeta a esfera cultural, política e econômica" –recordando neste último a dificuldade dos jovens para encontrar trabalho– e que repercute no âmbito psicológico e relacional.

"A?incerteza e fragilidade que caracterizam tantos jovens frequentemente os empurra para as margens, tornando-os quase invisíveis e ausentes nos processos culturais e históricos das sociedades".

O Papa assinalou também que "as esferas sentimental e emocional, a esfera dos sentimentos, bem como a esfera corporal, são fortemente afetadas por este clima e tempestades culturais que se seguem expressas, por exemplo, em fenômenos aparentemente contraditórios, como o espetáculo da vida íntima e pessoal e relacionamentos íntimos e o foco individualista e narcisista sobre as necessidades e interesses pessoais. A dimensão religiosa, a experiência de fé e de membros na Igreja são muitas vezes vistas em uma perspectiva privada e emocional".

Entretanto, não faltam os dados positivos, como o voluntariado, "a sincera e profunda experiência de fé de tantos jovens garotos e garotas que alegremente dão testemunho da sua participação nos esforços da Igreja para construir, em muitas partes do mundo, sociedades capazes de respeitar a liberdade e a dignidade de todos, começando com os pequenos e mais indefesos".

O Santo Padre assinalou que "tudo isso nos conforta e nos ajuda a desenhar uma imagem mais precisa e objetiva das culturas juvenis.? Nós não podemos, no entanto, nos contentar com uma visão dos fenômenos da cultura juvenil ditada por paradigmas estabelecidos, que tornaram-se clichês, analisá-los com métodos que não são mais úteis, com ultrapassadas e inadequadas categorias culturais".

"Nós estamos, afinal, diante de uma realidade extremamente complexa, mas fascinante, que precisa ser bem entendida e amada com um grande espírito de empatia, cuja linha de fundo e desenvolvimento nós devemos compreender cuidadosamente".

Falando sobre os jovens do chamado "Terceiro Mundo", o Pontífice disse que com suas culturas e necessidades constituem "um desafio para a sociedade de consumo global, para a cultura de privilégios estabelecidos, que beneficia um pequeno grupo da população do mundo ocidental".

Em consequência, "as culturas juvenis, como um resultado, ‘emergem’ no sentido de que exibem uma profunda necessidade, um pedido de socorro ou mesmo uma "provocação" que não pode ser ignorada ou negligenciada, seja pela sociedade civil ou pela comunidade eclesiástica".

Bento XVI reiterou sua preocupação pela denominada "emergência educativa", a que acompanham outras emergências que afetam às diferentes dimensões da pessoa e suas relações fundamentais "como as dificuldades crescentes no campo de trabalho ou o esforço que é necessário para permanecer fiéis às responsabilidades que assumimos ao longo do tempo".

"Um empobrecimento, não somente econômico e social, mas também humano e espiritual poderia seguir, para o futuro do mundo e de toda a humanidade".

O Santo Padre alertou também que "se os jovens não mais têm esperança, se eles não mais progridem, se eles não mais se inserem em dinâmicas históricas com a sua energia, sua vitalidade, suas habilidades para antecipar o futuro, nós encontraríamos uma humanidade voltada para si mesma, sem confiança e uma perspectiva positiva para o futuro".

Fonte: ACI Digital

Bento XVI abre oficialmente o Ano da Fé

O Papa Bento XVI durante celebração eucarística que abriu oficialmente o Ano da Fé
O Papa Bento XVI abriu oficialmente o Ano da Fé com uma Santa Missa realizada no Vaticano na manhã desta quinta-feira, 11. A proposta do Pontífice é que este seja um tempo de reflexão para que fiéis católicos de todo o mundo possam redescobrir os valores da sua fé.

No dia em que também se comemoram os 50 anos do início do Concílio Vaticano II, o Papa presidiu a celebração eucarística com a participação de 400 concelebrantes. Entre eles, estavam alguns brasileiros, como o cardeal arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, que também é presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Fazendo memória ao jubileu de ouro do Concílio, um acontecimento que marcou a vida da Igreja, o Papa explicou que a celebração foi enriquecida com alguns sinais específicos. A procissão inicial quis lembrar a procissão dos Padres conciliares, houve a entronização do Evangeliário, que é uma cópia daquele utilizado durante o Concílio e a entrada das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica.

“Estes sinais não nos fazem apenas recordar, mas também nos oferecem a possibilidade de ir além da comemoração. Eles nos convidam a entrar mais profundamente no movimento espiritual que caracterizou o Vaticano II, para que se possa assumi-lo e levá-lo adiante no seu verdadeiro sentido”, disse.

O Papa explicou que o Ano da Fé está em coerência com todo o caminho da Igreja nos últimos 50 anos, desde o Concílio, passando pelo Magistério do Servo de Deus, Paulo VI até chegar ao Jubileu do ano 2000, em que o Bem-Aventurado João Paulo II propôs à humanidade Jesus Cristo como único Salvador.

“Jesus é o centro da fé cristã. O cristão crê em Deus através de Jesus Cristo, que nos revelou a face de Deus”, enfatizou o Papa. Ele lembrou que, como diz o Evangelho do dia, Jesus Cristo é o “o verdadeiro e perene sujeito da evangelização”.
Por que ter um Ano da Fé?

Ainda na homilia, o Papa Bento XVI explicou que a Igreja proclama um novo Ano da Fé não para “prestar honras a uma efeméride”, mas sim porque é necessário, mais ainda do que 50 anos atrás.

Isso porque nos últimos decênios o Papa lembrou que se tem visto o avanço de uma “desertificação” espiritual, um vazio que se espalhou. Mas estas situações, de acordo com o ele, permitem redescobrir a alegria e a importância de crer.

“No deserto é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente”.

Dessa forma, Bento XVI explicou que o modo de representar este Ano da Fé é como uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o essencial. “... nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas - como o Senhor exorta aos Apóstolos ao enviá-los em missão (cf. Lc 9,3), mas sim o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como é o Catecismo da Igreja Católica, publicado há 20 anos”.

Concílio Vaticano II

Sobre o Concílio, Bento XVI destacou que seu objetivo não foi colocar a fé como tema de um documento específico. No entanto, ele explicou que o Concílio foi animado pela consciência e pelo desejo de “imergir mais uma vez no mistério cristão, para poder propô-lo novamente e eficazmente para o homem contemporâneo”.

O Santo Padre também enfatizou que numa ocasião como esta de hoje, o mais importante é reavivar na Igreja aquele desejo ardente que se teve no Concílio de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo.

“Mas para que este impulso interior à nova evangelização não seja só um ideal e não peque de confusão, é necessário que ele se apóie sobre uma base concreta e precisa, e esta base são os documentos do Concílio Vaticano II, nos quais este impulso encontrou a sua expressão”.

Como devo conduzir o Ano da Fé na minha vida?


Viver, celebrar, aprofundar a fé católica. Esse é o chamado que faz o Papa Bento XVI a todos os fiéis para o Ano da Fé, que se inicia em 11 de outubro próximo e termina em 24 de novembro de 2013. 

Tendo em vista a proposta de amadurecimento da fé católica e o chamado à conversão ao Senhor, o padre Wagner Ferreira, da Comunidade Canção Nova, acredita que os fiéis devem viver o Ano da Fé com o coração aberto para uma nova experiência do Senhor Jesus, que é o Salvador da humanidade e dá sentido à existência humana. 

“Cada fiel deve viver, portanto, o Ano da Fé como uma oportunidade de renovação da graça para poder proclamar com alegria que, em Jesus Cristo, toda e qualquer pessoa humana encontra a sua dignidade, a sua verdadeira liberdade”.

Mas os fiéis não estão sozinhos nessa tarefa. A Congregação para a Doutrina da Fé lançou uma nota com indicações pastorais para se viver bem o Ano da Fé. De acordo com padre Wagner, tais indicações devem ser traduzidas de forma concreta na realidade de cada comunidade cristã, em suas dioceses e paróquias.

A nota propõe, por exemplo, a realização de congressos e simpósios em torno dos textos do Concílio Vaticano II e temas presentes no Catecismo da Igreja Católica. Também há indicações para as conferências episcopais, dioceses, paróquias, comunidades, associações e movimentos. 

“É importante, portanto, que cada fiel esteja atento àquilo que a diocese, a própria conferência episcopal, a sua comunidade, paróquia, movimento ou associação da qual a pessoa venha a participar vai promover em relação ao Ano da Fé”.

O padre lembrou ainda que a fé é um dom de Deus, é Deus quem suscita o ato de crer, mas ressaltou que a nossa existência deve ser um peregrinar na fé. 

Ele citou o exemplo, presente na constituição dogmática Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, da Bem Aventurada Virgem Maria. Uma das questões abordadas no documento é o fato dela ter realizado a sua peregrinação na fé.

“Todos nós, a exemplo de Maria, somos peregrinos da fé e, portanto, devemos fazer progressos na fé. Que se cultive a nossa comunhão com o Senhor para que aumente em nós a fé de modo que possamos ser, de fato, discípulos de Jesus e seus missionários”. 

Profissão de fé da Igreja: o Credo

Como uma das formas de se aprofundar na fé, o padre destacou o pedido do Papa para que os fiéis rezem a oração do Credo, que é a profissão de fé da Igreja.

“Toda a comunidade cristã, todo fiel deve rezar, pelo menos diariamente, o Creio e, a partir dele, aprofundar, porque o Creio nos traz os artigos da fé, aquilo em que a Igreja crê, que nos faz viver mais intensamente este amor profundo ao nosso Senhor Jesus Cristo”. 

Ele destacou que as paróquias, comunidades e movimentos vão promover diversos momentos de reflexão, estudo e aprofundamento em torno do Credo para que as pessoas tenham mais consciência a respeito da sua fé.

“A fé não é somente afetiva e emocional, ela é também racional. Eu creio como pessoa humana, eu não sou esgotado em afeto, em sentimento, em uma dimensão emocional. Eu sou, sobretudo, dotado de razão. Portanto, eu devo dar razões àquilo em que eu creio para que eu possa crer mais, de forma mais clara. Daí a importância de nós conhecermos e estudarmos a doutrina da Igreja”. 

Após o Ano da Fé, o trabalho termina?

O padre destacou que o Ano da Fé é um marco, mas é um ponto de chegada de uma caminhada que a Igreja vem fazendo. Ele acredita que, sendo um marco, o Ano da Fé vai contribuir para que haja uma continuidade após o Ano, para que a Igreja possa viver com mais esperança e alegria a sua fé. 

Ele lembrou que as orientações para a vivência do Ano da Fé insistem na questão do estudo, para que comunidades e paróquias promovam momentos de reflexão com o povo de Deus. Ele citou, por exemplo, que há muita atenção para a catequese das crianças e que é necessario também atentar para a catequese dos adultos. 

“É preciso ter uma atenção à catequese dos adultos, porque às vezes eles receberam a catequese lá na infância e, depois, com o decorrer da vida, tem algumas coisas que precisam ser atualizadas para que a pessoa possa viver melhor a sua fé”

ANO DA FÉ E A LITURGIA

Palestra de Padre Carlos Augusto no III Encontro Summorum Pontificum de Belém.



O Ano da Fé e a Liturgia.


Com este tema damos início o nosso encontro deste ano. Uma vez que este ano o Santo Padre, o Papa Bento XVI, abrirá o Ano da Fé para toda a Igreja, por ocasião dos 50 anos do Concílio Vaticano II e os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica. O ambiente em que esse ano é convocado é um ambiente de crise de fé. Em nosso tempo vivenciamos uma grande crise de fé, verificamos essa crise em nossas comunidades paroquiais, nos nossos agentes pastorais e porque não dizer também em nossos padres e bispos. Antes que crie um espanto desnecessário explico-me: muito dessa crise de fé que vivemos é fruto de um processo alavancado por todo esse subjetivismo, materialismo, todos esses “ismos” que nas últimas décadas vêm tomando conta de nossas vidas, mesmo que não percebamos. O subjetivismo, por exemplo é muito perigoso para a vivência de nossa fé. Pois no colocamos como centro de toda realidade, quando o lugar do centro é de Deus. Ele é o centro de nossa vida. Essa realidade, por exemplo, vemos com muita facilidade nas Missas que são celebradas pelas nossas comunidades. Onde o Centro da celebração deixa de ser o Sacrifício Redentor da Cruz do Senhor, o Corpo e Sangue dele oferecidos para a nossa Salvação e passa a ser a Comunidade que Celebra, a celebração da Vida, do Povo, das Lutas, da Caminhada do Povo. Ora, o centro da Liturgia é o mistério de Cristo, Cristo é o Centro, para ele deve convergir toda a Ação Litúrgica, não para a Comunidade que celebra.

Essa situação parece ser mais comum do que parece, essa idéia se espalhou como “fogo em palha seca” em nossos cursos de “liturgia” nesses 50 anos pós concílio. Onde percebemos uma mudança do enfoque principal da Santa Missa, sob o pretexto de proporcionar, ou melhor, partindo de uma interpretação errada do que seria a “participação ativa dos fiéis” proposta pelo Sagrado Concílio, nós  testemunhamos em muitos lugares verdadeiras aberrações litúrgicas sendo cometidas. Se reduziu o Santo Sacrifício da Missa a uma mera reunião fraterna, valorizando exageradamente o aspecto da Eucaristia como Ceia em detrimento ao Sacrifício da Cruz que é  renovado em nossos altares.

Essa realidade nós percebemos também quando lançamos o olhar sobre a própria figura do sacerdote, que neste período pós-conciliar passa a ser chamado, preferencialmente, de presbítero. Encontramos muitas vezes ataques veementes à função sacerdotal. Em muitos lugares o padre assume meramente a função de organizador, animador da comunidade. Vimos espalhar-se por aí, a idéia do “padre inserido”. Alguns, de fato, inseriram-se tanto que deixaram de ser padres, abandonaram o ministério ou simplesmente perderam a dimensão espiritual de sua configuração ao Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Essa dimensão sacerdotal, (toco neste tema, pois considero importante como introdução à experiência por mim vivenciada e que em breve lhes relatarei.) não pode estar separada ou suprimida da vida do padre, o padre não pode subir ao altar simplesmente como quem vai cumprir uma obrigação. O sacerdote deve subir ao altar de Deus, como o Cristo que oferece de bom grado pela salvação das almas.

“Introíbo ad altare Dei, ad Deum qui laetificat iuventutem meam.” (Sl 42). “Subo ao altar de Deus, ao Deus que alegra a minha juventude”. No altar do Santo Sacrifício o Sacerdote deve encontrar alegria de sua vida, a realização de sua vocação, a completude de seu ser. O sacerdote, configurado ao Cristo, Sumo e eterno sacerdote. Participa, assim, da obra sacerdotal de Cristo, ou seja, a santificação dos homens e a perfeita glorificação de Deus. No Altar o Sacerdote realiza a plenitude de seu ministério, no altar deve começar e terminar toda sua ação pastoral, pois é a “Eucaristia a fonte e o ápice de toda a vida cristã”. (LG 11)

- EXPERIÊNCIA PESSOAL

Nessa reflexão lembro o texto da ordenação presbiteral, no momento em que o Bispo entrega ao neo-sacerdote o cálice com o vinho e a patena com o pão e diz:
“Recebe a oferenda do povo para apresentá-la a Deus. Toma consciência do que vais fazer e põe em prática o que vais celebrar; conformando a tua vida ao mistério da Cruz do Senhor.” (Pontifical Romano, Rito de Ordenação de um Presbítero, n. 163, pg. 131, Ed. Paulus, 2000.)

Se todos os sacerdotes tomassem consciência destas palavras, tantas coisas seriam diferentes. Começo então a narrar minha experiência pessoal no que diz respeito à Forma Extraordinária do Rito Romano. Nunca foi desejo deste sacerdote que vos fala celebra a Santa Missa na forma extraordinária, ou como chamávamos, a Missa Tridentina. Tudo aconteceu por Providência Divina e de minha parte, movido pela obediência e caridade pastoral. Tive três dias para aprender a celebrar a forma extraordinária, algumas dificuldades foram encontradas meu latim enferrujado, uma missa que só tinha visto uma única vez, o sacerdote que celebrava estava internado enfim, depois de muita correria e com o santo tremor e temor, no dia 25 de janeiro de 2009, às 11:00, na capela do Colégio Gentil Bittencourt, celebrei pela primeira vez a forma extraordinária do rito romano. Fui tomado de grande emoção, pois pela primeira vez senti algo diferente ao celebrar a missa, inconscientemente passei por uma auto-análise, percebendo que muitas vezes eu me fazia de centro na celebração, que tantas vezes enchia a celebração de cantos, orações, de barulho. E ali, naquela missa simples, sem barulho, num silêncio sagrado que me comovia, uma coisa era certa: a partir daquele dia meu sacerdócio tomou um novo rumo, minha forma de celebrar a Santa Missa tornou-se gradualmente mais sóbria, sem invenções, sem extravagâncias. Pude naquela ocasião, finalmente tomar consciência do que ia fazer e a pôr em prática o que ia celebrar. A mudança que começara pelo modo como celebrava a Santa Missa, agora começava a tomar corpo em todos os campos de minha vida. Comecei a ponderar melhor as coisas que chegavam aos meus ouvidos e a rever os ensinamentos que havia recebido confrontando-os com o ensinamento da Igreja. Passei a ser tomado por grande desejo de ser fiel aos ensinamentos da Igreja, não transmitir as minhas idéias ou opiniões, mas passar ao povo aquilo que a Igreja ensina. E toda essa mudança pessoal passou a ser sentida, também, em minha comunidade paroquial.

- EXPERIÊNCIA PASTORAL

 Sou Pároco desde, 18 de setembro de 2008, da paróquia Sta. Maria Goretti. Num bairro de periferia e muitas vezes colocado a margem da sociedade. Desde que cheguei ao Guamá disse que não admitiria que o Guamá fosse chamado de área de risco, ou área vermelha. Mas consagrei aquela terra como território Eucarístico. Toda essa realidade da crise de fé que nossa sociedade vive, senti com toda a força quando lá cheguei. A primeira missa que lá celebrei, encontrei 38 pessoas na igreja em pleno domingo. Percebi uma grande dificuldade de comprometimento do povo com a vida eclesial, salvo algumas santas exceções, que muito me ajudam no árduo trabalho de apascentar o Rebanho de Cristo. Mas, de fato, pude perceber a necessidade de agir de forma contundente. Escolhi, então, começar pela liturgia. Utilizando as homilias para dar alimento sólido ao nosso povo seguindo um caminho espiritual a cada domingo celebrado, buscando dar dignidade ao Sacrifício Eucarístico, organizando os instrumentos litúrgicos, restaurando alguns objetos, adquirindo outros. Mostrando que nós podemos e devemos celebrar com dignidade independente da realidade em estamos inseridos. Muitas vezes, alguns irmãos sacerdotes acham que respeitam o povo quando celebram com qualquer paramento, apenas de estola, celebram de qualquer jeito. Quando, na verdade, nosso povo percebe que é respeitado quando ele vê que a Santa Missa é celebrada com zelo, com carinho, com dignidade.

Então, começamos a dar passos de qualidade, no entanto, com muita prudência. Não podemos curar uma ferida causando outra. Fomos falando da dignidade do Santo Sacrifício da Missa. Em 2010, por ocasião do Ano Sacerdotal, após ter falado repetidas vezes sobre a função sacerdotal do padre na Santa Missa, fizemos a experiência de celebrar na Quinta-feira Santa, a Missa “In Coena Domini”, missa da Ceia do Senhor, “Versus Deum”, ou seja, o sacerdote e o povo voltados para o altar do sacrifício. Essa experiência repete-se a cada quinta-feira Santa. Passamos a utilizar uma cruz no Centro do altar voltada para o sacerdote, manifestando assim a centralidade de Cristo e não do sacerdote. No natal de 2011, falei da dignidade da Eucaristia e importância de reconhecermos com gestos concretos e visíveis nossa devoção eucarística, falei da comunhão na boca, falei da comunhão de joelhos e disse que aqueles que assim quisessem poderiam comungar de joelhos. Falei apenas uma vez, e grande tem sido a minha surpresa, hoje em dia, basta colocar o genuflexório na frente do presbitério que naturalmente as pessoas vão se ajoelhando para comungar. Tivemos, então, em fevereiro deste ano, um encontro de formação, em preparação ao Ano da Fé, em que estudamos na íntegra a Constituição Sacrosanctum Concilium. Deste curso participaram quase 200 pessoas. E naturalmente, as pessoas passaram a perceber que algumas coisas que são ensinadas por aí, em nome do Concílio, nunca foram nem sequer citadas Por ele.

Percebemos, portanto um novo Movimento Litúrgico se espalhando pelo mundo inteiro, a chamada Reforma da Reforma. Começamos a vivenciar as proposições do Concilio sendo postas em prática sem exageros, sem rupturas. A Igreja não nasceu na década de 60. A liturgia é um desenvolvimento harmônico e histórico, não podemos transformar a liturgia numa invenção pessoal, subjetiva. A liturgia não pode ser criada a minha imagem e semelhança. Percebemos que quando começamos a valorizar a liturgia como ela deve ser valorizada tudo passa a se transformar em nossa vida de fé. A Igreja acredita naquilo que reza e reza aquilo que acredita. Quando abrimos brechas, ou reduzimos o significado e valor da Liturgia, nós abrimos precedentes para a que também no que se refere a nossa fé, abramos precedentes e brechas para vivermos apenas aquilo que nos interessa. Então, verificamos uma grande bola de neve que vai crescendo e crescendo muitas vezes dentro de nossas comunidades católicas.

- ANO DA FÉ OPORTUNIDADE DE CONVERSÃO

A vivência do ano da Fé nos coloca diante da responsabilidade de reavivar a nossa Fé. Buscar conhecer a fé da Igreja e professá-la integralmente, conhecendo aquilo que a Igreja crê, nos poderemos então celebrar aquilo que nós cremos. É por aí que passa o viés da “participação ativa” proposta pelo Concílio, uma participação que passa, antes, pelo conhecer. Só amamos aquilo que conhecemos. O Ano da Fé nos chama a uma verdadeira conversão a Cristo Senhor. Coloca-nos como Cristãos Católicos convictos de nossa fé. Conhecer a historia da Igreja, conhecer a história da Liturgia, conhecer as verdades de Fé que a Igreja professa. Conhecer os documentos da Igreja, acompanhar os Documentos publicados pelo Santo Padre, etc. Enfim, sair de uma posição de acomodação para uma posição de ação efetiva.

A partir do motu próprio Summorum Pontificum, o Santo Padre, o Papa Bento XVI nos convida a buscar um mútuo enriquecimento. A não abandonar a riqueza histórica da Igreja. Como é bonito verificarmos o resgate de cantos litúrgicos tradicionais, temos um grande tesouro na musica sacra. Temos aqui em Belém a oportunidade de conhecer a Missa na sua forma extraordinária, celebrada todo domingo, às 11:00 na igreja de N. Sra. do Rosário dos homens pretos, na Campina. Podemos participar, conhecer. E depois permitir que os frutos sejam sentidos em nossas vidas e comunidades. Não se trata de um retorno ao passado, mas buscar na experiência histórica da Liturgia Católica inspiração para bem celebrarmos a nossa Liturgia atual.

- CONCLUSÃO

 Por fim, tenhamos grande amor a Liturgia, não permitamos que façam da Liturgia da Igreja uma brincadeira, uma salada de frutas, uma aberração. Temos na Sagrada Liturgia o grande tesouro de nossa Fé. Preservemos esse tesouro intacto. Essa preservação passa pelo processo de conhecimento, de formação, busquemos conhecer o que a Igreja ensina. Permitamos e façamos com que Cristo seja, de fato, o centro de nossas Ações Litúrgicas. Como conseqüência disso, iremos experimentar o fortalecimento e reavivamento de nossa Fé. Nos preparemos bem, para viver esse Ano da Fé e sejamos, também nós, porta vozes dos ensinamentos do nosso amado Santo Padre, que busca, com sinais concretos e ensinamentos constates, levarmo-nos todos em direção a Cristo que é o Centro de nossa Liturgia e deve ser sempre o Centro de nossa vida.
Que assim seja!

Fonte: Tridentina.blog. com